...Fisgado pelo coração. Foi assim que regressei de Pipa, Natal.
O clima abençoado do nordeste permite-nos viver com o pouco que sabe a muito. Mar lindo e quente, temperaturas do ar entre os 29ºc e os 32ºc, uma paisagem de cortar a respiração, areia branca como farinha. Pessoas amistosas, que sabem receber com simpatia e carinho quem os visita. Preços bem baixinhos, que permitem alguns negócios incriveis.
O Hotel Ponta do madeiro surpreendeu pela qualidade do serviço, simpatia do pessoal, e localização previlegiada e totalmente integrado na paisagem.
Uma semana de chinelo no dedo e calção no corpo. Não há melhor remédio para a loucura do dia a dia.
De novo da minha janela... sonho com Pipa.
Este blog vai de férias para a Ponta do Madeiro.... Durante a próxima semana irá existir alguma irregularidade na escrita. A quem se habituou a nos visitar, voltem depois de dia 30 de Março, ou passem por Pipa. É sempre bom encontrar amigos, enquanto se bebe uma caipirinha num oceano quentinho... Da minha outra janela... Um abraço.
A não perder, nasAzenhas do Mar a exposição de fotografia de Rui Cardoso, que se realiza de 27 de Março a 23 de Abril no Brisa do Mar . Enquanto bebe um café ou almoça, vai poder apreciar este trabalho. Desta janela sobre o mar... uma sugestão.
..."Filho és, Pai serás...". costumava dizer a minha mãe. O Dia do Pai, tem mudado de simbolismo à medida que fui crescendo. Primeiro, porque a própria maneira de se ser pai, se alterou, suavizou-se a ideia do pai distante e agora, qualquer homem gosta de dizer que mudou fraldas, deu biberons, brincou com o filho. Depois, porque o simbolismo da própria palavra, muda, quando passamos nós a ser o pai. De repente, Uma palavra protectora, "Pai", figura para quem corriamos quando nos magoávamos, passa a ser uma palavra que nos leva a proteger, e a cuidar. Um grito de "Pai" e lá vamos nós a correr...
Desta janela sobre o mar... Feliz Dia do Pai.
...Não é de estranhar que a região das Azenhas do Mar, pelas suas características, um local que favorece a reflexão, tenha sido mote para uma das pinturas mais conhecidas de um famoso pintor português, José Malhoa.
Malhoa, de seu nome verdadeiro José Victal Branco Malhoa, nasceu de uma família de agricultores, nas Caldas da Rainha em 1855. Inscrito pelo irmão na Real Academia de Belas Artes (Outubro de 1867), pois cedo revelara 'jeito para a coisa', concretiza ai estudos durante vários anos e com óptimos resultados. Iniciado na pintura de paisagem – género favorito de Malhoa – pelo mestre da pintura romântica Tomás da Anunciação, tem ainda grandes nomes como professores da Academia que o vão ensinar como Miguel Angelo Lupi e José Simões de Almeida. Por volta de 1881, o pintor Silva Porto regressa a Lisboa, vindo de França e trazendo muitas influências estrangeiras (aluno de um grande pintor francês – Daubigny –) começa a dar aulas de Pintura de Paisagem na Academia de Belas Artes, tendo Malhoa também como um dos seus alunos.
Entretanto e na cervejaria do Leão, em Lisboa, reúne-se um grupo de artistas dos quais Malhoa faz parte, onde discutem ideias sobre a pintura paisagística, com como era chamada, a 'pintura de ar livre' De realçar que precisamente nesta época eram as tintas começavam a ser fornecidas em bisnagas, que permitiam o artista deslocar-se do estúdio para o campo (antigamente os artistas faziam esboços em papel, para mais tarde, no estúdio, reproduzir em tela)
Assim, é precisamente nesta altura que estão favorecidas as condições para uma das sua mais belas e conhecidas pinturas 'Praia das Maçãs', datada de 1918, realizada na nossa região. Esta paisagem, mostra um local, que está agora em ruínas, para vergonha de nós todos, por cima da falésia, junto á Praia das Maçãs. Local privilegiado para ver os veraneantes, conveniente abrigado do vento e do sol.
Desta janela sobre o mar...Outros tempos
Desta janela sobre o mar... um Malhoa.
Diz o Borda D'Água, verdadeira instituição do mundo escrito, que os nativos de peixes, ligadas ao elemento água, representam o oceano, a unidade entre os seres, e são intuitivas, compassivas, e capazes de grandes sacrificios ou dedicações, por pessoas e causas, e comungam com o passado. (...) Melhor dia é a Quinta-feira, cores azul e violeta, plantas, papoila, violeta e centáurea; perfume, âmbar; objectos do mar.
Adivinhem lá quando faço anos? mês e dia...
...Hoje de manhã, como sempre faço, parei para ver o mar na esplanada do Mira Azenhas. À sempre alguém à pesca com quem trocar dois dedos de conversa antes de me meter ao caminho. Para além do pescador já lá estava um sargo. Respirei fundo, cerrei os dentes e obriguei-me a mim próprio a montar a mota e seguir caminho. É dificil não ficar por ali à pesca também...
Desta janela sobre o mar... bons lançamentos a todos os pescadores......O sol desaparece sobre o mar...velas acesas... cd do Vinicius de Morais... e nós a cantar baixinho....
"Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer
Chega de saudade
A realidade é que sem ela
Não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim
Não sai de mim
Não sai
Mas se ela voltar
Se ela voltar
Que coisa linda
Que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei na sua boca
Dentro dos meus braços os abraços
Hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim,
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio
De você viver sem mim
Não quero mais esse negócio
De você longe de mim...
Vamos deixar desse negócio
De você viver sem mim..."
Uma grande fotografia do Jorge Coimbra. Notem que o maré era tão grande que a piscina não se vê, e as ondas batem por baixo do restaurante das piscinas.
Desta janela sobre o mar...um abraço.
... Está a chegar!! Está a Chegar!! O frio ainda aí está, mas o sol já brilha de outra forma, a maresia já tem outro sabor.. O meu amigo Ventor alerta-me para as andorinhas, mas ainda não as vi. Os campos começam a estar cobertos de flores e os dias já são mais longos. No meu jardim cresce todos os dias o que se escondeu no inverno. Todos temos fome de sol e como que por magia, ele aí vem, para nos renovar a alma… Desta janela sobre o mar… Alegria para o mundo!!
Este carro nasceu em 1978.
Já esteve ao serviço da GNR, trabalhando muito, para os lados do Porto.
Veio aposentar-se para minha casa, mas ainda gosta de dar os seus passeios.
Passeios tranquilos, como convém às pessoas de idade, por locais bonitos, como as estradas que nos levam da Praia da Adraga ao Cabo da Roca por terra batida. Ou então ir até Magoito pelo alto da arriba.
Sempre que olho para ele, parece um miudo, sempre a pedir para dar uma voltinha..
Existem carros que nunca envelhecem…
Desta janela sobre o mar… um abraço.
Escreve a Mariana, 9 anos, no Planicie Heróica um poema ao pai que vou transcrever:
'O Pai Querido Pai'
Este poema é para ti,
Pai querido Pai,
Foi feito por mim,
E se não gostares,
dou-te montes de jasmim.
Pai querido Pai
Foste tu que fizeste o meu coração.
Estou-te muito grata,
E também com o cão.
Pai não te vás embora,
Não é egoísmo,
É pura amizade,
Vem brincar comigo agora.
Mariana
Querida Mariana, gostava de ter novamente 9 anos e poder voltar a brincar com o meu pai.
Pai, Gostava de voltar aos fins de semana em que rumávamos invariávelmente á praia, com a mãe e a avó e passávamos a tarde os dois a chapinhar na água.Tu quase sem saber nadar mas sempre de molho comigo a rirmo-nos das ondas que baixinhas passavam por nós.
Gostava que me voltásses a consolar depois de o peixe aranha me morder a mão e de irmos a voar para o hospital de Sintra.
Gostava de voltar a ir na estrada de colares ao teu cólo, a conduzir o carro quase até Sintra.
Gostava de voltar a ouvir as tuas histórias que me contavas na sala debaixo do cobertor.
Gostava de te voltar a ver, cheirar, e sorrir para ti. De te ver a fazer a barba e a penteares-te.
Gostava que estivesses aqui, para me acompanhares na mudança de vida que me aconteceu e me veres feliz, ao lado da minha sereia.
Gostava que estivesses aqui para veres comigo o teu neto a crescer.
Pai, se estivesses aqui tinhas feito anos ontem, dia 11 de Março.
Desta janela sobre o mar... um beijo para ti, pai.
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Basta. É o que diz esta imagem do El Mundo
Levantemos a mão também.
Não podemos ficar indiferentes ao terrorismo. Seja aqui, seja lá longe onde os "outros", se chacinam bárbaramente, em atentados que, de quase diários, se tornam imagens banais na televisão.O que nos choca mais é que esta chacina aconteceu aqui ao lado, em Madrid.Foi aqui, no mundo "civilizado" cheio de conforto da Europa. Como podemos apontar o dedo aos "outros" se não conseguimos ser civilizados? Se não conseguimos ensinar o respeito pela vida e pela diferença?
Foi um acto premeditado de matar o maior número de inocentes que, de manhã, iam trabalhar, estudar, ao médico ou passear. Inocentes cuja vida desapareceu. Foi como se estivessemos na cozinha e colocássem uma bomba na sala. Foi aqui, no mundo "civilizado" cheio de conforto da Europa.
desta janela sobre o mar, digo basta...
Vi hoje no Maresias um poema que não resisto a colocar aqui, uma parte.
E os meus lábios esboçam espontaneamente
[um sorriso]
És o ontem;
O hoje;
O amanhã.
É bom saber que ainda te sentas no tempo
Com um sorriso de menina,
E que esse tempo não te levou de ti... nem de mim.
E se um dia voltar cansado
Irei encontrar o meu lugar no teu colo,
E trocaremos as palavras que não te escrevi.
És mulher!
E... isso basta-me para adormecer."
(Francisco Arsénio)
Desta janela sobre o mar... um beijo, minha sereia...

Um dos meus locais de pesca preferidos. Uma descida brutal até ao nível da água.
Aqui existe uma cratera, no alto da arriba a 70 metros do mar. Esta cratera, o buraco do fojo, tem correspondência com o mar. Dizem os antigos que aqui vivia um tritão, ser meio peixe e meio homem que seduzia as raparigas da região... Ainda hoje os habitantes de Almoçageme têm pequenas manchas nos braços, dizem que resquicios das escamas do seu antepassado comum.
Desta janela sobre o mar.... aquele abraço.
Escreveu o amigo Machede sobre o VAIVEM da COMUNICAÇÃO, uma pérola de humor alentejano, em que conversa puxa conversa e do Murteira Nabo a uma açorda de espinafres com ameijoas (sempre com muitos coentros...) fala sobre a forma como antigamente funcionava a auto-estrada da comunicação. tempos em que "...basta recordar a emblemática e usual referência à eficácia do serviço - basta dar um traque na praça que no minuto seguinte já toda a aldeia sabe..."
Bateu-me as saudades do alentejo no meu coração cheio de maresia.
Que saudades do tempo em que em cada aldeia havia um barbeiro.
Se se pudesse escolher o sitio onde se nasce, eu gostaria de ter sido alentejano!
Em criança passei muitas férias na aldeia das amoreiras, perto de odemira, com o "pai" Ganhão e "mãe" Emilia. Ora a vida dá muitas voltas e tem coisas bonitas e uma delas é que a minha cunhada, ou em inglês "sister in law", já era minha irmã desde pequena, pois era filha de uma casal tão amigo dos meus pais, a quem eu chamava pais e que me levavam ao alentejo.
Eram horas e horas no Volkswagen carocha azul bébé em estradas rectilineas, interrompidas aqui e ali por uma lomba... até chegar á aldeia.
Eram as caçadas aos passarinhos, os montes de cortiça e andar horas e horas atrás do pai Ganhão pelos campos a ver os animais.
Eram as idas para a praia da Zambujeira, quando ainda nem havia caminho para descer lá abaixo.
Tempos felizes, dos quais tenho pouca memória, mas que fica sempre um cheiro.
O cheiro da esteva que ainda hoje adoro e me provoca um grande encantamento.
Desta janela sobre o mar, um abraço a todos os pais que tive.
Gostava de receber as vossas histórias sobre as Azenhas.
A minha caixa postal está assim devido á maresia, mas podem mandar-me um mail.
Desta janela sobre o mar, aquele abraço.
Vi ontem no Janela para o Rio, uma referência a um filme que gostaria de partilhar convosco:
Big Fish, de Tim Burton.
De vez em quando, aparece um filme que nos surpreende pela sensibilidade e beleza das relações entre pais e filhos. Ainda está em cartaz, por isso, façam o favor de ir ver.
Para quem o pai ja não mora cá, como eu, o filme diz muito.
Desta janela sobre o mar, aquele abraço.
São 4 da tarde. Estou com saudades de casa...
Desta janela sobre o mar.... aquele abraço.

Dia a dia a maresia enche-nos a alma de sal...
Hoje comecei este blog, como quem acende um fósforo.
Os fósforos podem desaparecer num segundo... ou criar incendios que duram muito tempo.
Este blog continua aceso para falar sobre e das azenhas do mar.
Tanta gente com recordações de amores que passaram por aqui. mandem as vossas histórias. Gostava de as partilhar convosco.
Dia a dia a maresia enche-nos a alma de sal... e cristaliza em nós o desejo de aqui morar.
Desta janela sobre o mar, aquele abraço
www.azenhasdomar.net
visite sff.
Este site foi construido ao longo de vários meses, com o apoio, carinho, e compreensão de muitas pessoas que vivem nas Azenhas do Mar.
Sei que não falámos com todos os habitantes, mas com quem nós os dois falamos, todos nos apoiaram e ajudaram.
Assim, queria agradecer aqui:
-Ao João Rodil, historiador e habitante das Azenhas que nos ajudou com a história da localidade e soube ser breve e conciso, quando havia tanto para dizer.
-Aos nossos vizinhos, Filipe, Joana, Pedro, Paula, Ana e Filipa.
-Ao Pedro e José Augusto da adega das azenhas, por serem tão amigos e nos cederem as fotos antigas que guardam religiosamente.
-Ao Xico e Teresa Vassalo do restaurante por do sol, pelas conversas optimas que tivemos.
-Ao José Carlos Moleiro da Vinha da Quinta, pela alegria de começar a falar nas azenhas e duas horas depois acabar a falar em passeios de kaiack no sul de frança
-Aos restantes que acreditaram e nos deram a oportunidade de concretizar este pequeno contributo para a divulgação na nossa terra.
Da nossa janela sobre o mar, aquele abraço..